Da arquitetura de um design system a decisões de comparação de dados em tempo real. Trabalho bem em contextos densos, multidisciplinares, onde pesquisa, escrita e consistência decidem o resultado.
Os três módulos abaixo fazem parte do CT-Suite, principal produto da Climatempo (StormGeo): uma plataforma de microsserviços com grande variedade de ferramentas, customizável para cada contratante, e recentemente destaque no Jornal Nacional, da TV Globo. Desenhei estes três módulos e lidero a arquitetura do design system compartilhado entre produtos B2B e B2C. Compartilham linguagem visual e componentes — o que muda é o problema que cada um resolve: leitura configurável, comparação de estações e criação de alertas em escala global.
Como dar a cada usuário a liberdade de montar a própria leitura de dados densos.
Como comparar estações e traduzir clima em decisão de geração de energia.
Como criar e editar alertas sobre o mapa e escalar a plataforma para nível global.
Um painel onde mapa e dados convivem numa só tela — e cada usuário monta a própria leitura, do tipo de dado à ordem das colunas.
A Climatempo ainda não oferecia um produto dedicado a dados ambientais contínuos, e vinha perdendo clientes para concorrentes. O benchmarking revelou um padrão: a maioria entregava só metade da história — ou histórico, ou monitoramento, raramente integrados.
Conduzi pesquisa, UX e UI, e priorizei o escopo em conjunto com PMs e desenvolvedores a partir de dados de uso. Parti do comportamento predefinido da suíte e repensei as interações onde o fluxo do usuário pedia — documentando as exceções para manter o design system coerente.
A tabela deixou de ser leitura linear e virou triagem em segundos. Cada nível de severidade recebeu cor e marcador — e o Minor ficou neutro de propósito: menor risco, menor necessidade de atenção. Todos os pares validados para contraste.
O usuário arrasta a coluna que importa pra ele para a frente. Customização como proposta de valor, não enfeite.
Propus interações fora do padrão dos outros módulos, priorizando o fluxo real de quem trabalha com esses dados.
Agora consigo visualizar bacias e indicadores na mesma tela, sem ficar alternando entre abas e menus.— Participante do teste de usabilidadeVer protótipo no Figma →
Transformar o maior banco de dados climáticos da América Latina num painel onde empresas de energia comparam estações e enxergam o impacto do clima na geração.
Os usuários não conseguiam comparar dados entre estações nem entender como o clima impactava a produção de energia. A tela herdada mostrava uma estação por vez, com dados meteorológicos puros e sem nenhuma tradução para o negócio de energia.
Conduzi a pesquisa e o UX writing dos rótulos e KPIs, validando contraste e legibilidade das cores com o time de acessibilidade. Iterei o desenho diretamente com um profissional do setor de energia, ajustando a interface a partir do feedback dele.
Estações viram chips que somam e removem; a mesma métrica se sobrepõe no gráfico. Comparação direta, sem memorizar entre telas.
Os destaques genéricos viraram indicadores de geração (irradiância, geração estimada, temp. do painel), específicos por tipo de estação — solar, eólica, hídrica. É o elo entre clima e produção.
Com 6 estações e 4 variáveis sobrepostas, o gráfico fica denso por natureza. Em vez de limitar o usuário, dei controle: clicar na legenda oculta a série, e ele gerencia o próprio ruído. Quem decide o quanto comparar é quem usa.
Finalmente consigo ver todas as minhas estações lado a lado. Antes eu exportava dado por dado pra montar essa comparação numa planilha.— Cliente do setor de energia solar
Os KPIs de geração são o que eu queria desde o início. Não preciso mais traduzir temperatura e irradiância na cabeça — a tela já entrega em MWh.— Cliente do setor de energia eólicaVer protótipo no Figma →
Um editor de alertas meteorológicos sobre o mapa-múndi, levando uma plataforma de cobertura regional para escala global — fundindo os bancos da Climatempo e da StormGeo.
Existia uma versão do produto, mas desatualizada e de cobertura geográfica limitada. A proposta: fundir os bancos das duas empresas para cobrir o mundo inteiro, consolidando tudo num só produto.
Conduzi as análises comparativas entre as ferramentas das duas empresas e integrei o módulo ao design system unificado que lidero na suíte, adaptando componentes para o novo padrão de escala global.
A jornada de criação de um alerta, de ponta a ponta:
O usuário desenha polígonos de severidade (área ampla, núcleo intenso) diretamente sobre o mapa global. Interação espacial que nenhum outro módulo da suíte tem.
Satélite, precipitação, vento, anomalia de temperatura e altura de onda sobrepostas sob demanda — contexto para decidir onde o alerta se aplica.
A mesma linguagem do Weather Dashboard aplicada à lista de alertas: severidade por cor, urgência com ícone só no nível imediato, status explícito. O usuário que aprende a suíte num módulo lê o outro sem reaprender.
O design system da Climatempo não serviria a uma ferramenta global. Adotei o da StormGeo para garantir consistência entre os produtos internacionais — decisão de arquitetura, não de tela.
O AES ainda não foi ao ar para o cliente final, mas já mudou como a equipe interna trabalha:
O feedback inicial dos stakeholders destacou a clareza da interface e a facilidade de navegação. O impacto esperado é a migração em larga escala dos usuários das ferramentas legadas para este produto único.
Ver protótipo no Figma →Lidero a arquitetura do design system que sustenta os produtos B2B e B2C da Climatempo, e os três módulos compartilham essa base — componentes, tokens e padrões. Manter essa coerência em escala, e saber quando quebrá-la, foi parte central do trabalho.
Tabela densa, cards de métrica, filtros e presets reaproveitados entre módulos, com comportamento previsível.
Severidade e status seguem a mesma escala semântica em toda a suíte — aprende-se uma vez.
No Weather propus interações fora do padrão; no AES troquei de design system inteiro. Consistência serve ao usuário, não ao contrário.
Em todos os módulos, a decisão foi a mesma: dar controle ao usuário em vez de impor uma visão. Ele escolhe os componentes no Weather, as estações e séries no Estações, as camadas e áreas no AES. Meu trabalho é projetar para o cenário mais caótico possível — e entregar as ferramentas para que quem usa gerencie a própria densidade.
Desde 2022 lidero a arquitetura de um design system compartilhado entre produtos B2B e B2C na Climatempo, priorizando escopo com PMs e desenvolvedores a partir de dado real. Antes disso, desenhei MVPs para startups sob prazo apertado e testei hipóteses com pesquisa e testes A/B em sistemas internos complexos.
O que se repete, seja um mapa de alertas para todo o planeta ou um MVP de duas semanas, é a mesma disciplina: decidir com dado, escrever com clareza, e desenhar sistemas — não só telas — para que o time cresça sem recomeçar do zero a cada feature.